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Sobre Dispensários

September 13, 2018

Estivemos algumas semanas em British Columbia, no Canadá. Talvez um dos cantos mais "weedfriendly" do mundo. E aí fomos dar umas passeadas para sentir e ir ver de qual é. De cara, vemos pelas ruas vários dispensários, parte comum do comércio local entre os cafés, supermercados e farmácias; aqui e ali um dispensariozinho marcando presença. Isso quer dizer bastante, já que as regulamentações ainda estão sendo trabalhadas e a erva só será, de fato, legalizada em outubro; porém, esses dispensários todos já estavam abertos e em atividade, mesmo se operando fora da legalidade..Muitos desses dispensários, como o caso do the dispensary, que pudemos conhecer mais de perto, já possuem, há muitos anos, pacientes medicinais que se beneficiam dos serviços. Por aqui, “o direito à saúde e ao bem estar” serviu como direcionamento para que os pacientes e usuários tomassem apropriação do direito à planta.

 

Foi muito bom ter a chance de conhecer algumas dessas pessoas por trás dos dispensários. Mulheres e homens que se juntam em comunidade há muitos anos para se organizar entre si e se possibilitar todas essas coisas – inclusive a segurança que as redes proporcionam <3 . Quando os primeiros dispensários foram abertos (os corajosos à frente!), por exemplo, uma das missões do negócio era o de sempre abrir as portas, mostrar ao outro como que faz (ou como que acha que faz), como tem sido o contato com os pacientes, permitir, em geral, essa maior troca de contatos e informações para a expansão da comunidade. Dentro de alguns anos, várias partes do país possuíam dispensários funcionando, alguns mais discretos que outros, mas, sem dúvida, funcionantes.

 

Com as atuais propostas da legalização, muitos dos dispensários que já estão abertos (e que de alguma forma criaram suas legitimidades) encontram-se em apuros. As leis são decididas de província em província, e algumas dessas podem acabar tendenciando os interesses do Estado aos dos poderosos do mercado (oh, novidades desse mundo capitalista!). Nisso acaba aquela velha história que a gente conhece bem: pequenos produtores e organizações locais são esmagados diante de propostas de grandes empresas e empreitadas. E os métodos de “limpar o mercado” a gente também conhece bem: as mil burocracias que podem e são criadas. Criam-se novos testes, novos parâmetros, novas regras, novas condutas. Qual o maior problema com a criação de todas essas regras? Elas não costumam ser feitas por entendedores e especialistas do assunto, acabam sendo mal arquitetadas, confusas ao misturar valores paradoxais e, muitas vezes, ainda impregnadas de estigmas (Uma das propostas da nova regulamentação em British Columbia, por exemplo, era a de que se poderia fazer o autocultivo desde que nenhuma das plantas ficasse aparente ao público (?). Quer dizer, pode plantar, tá liberado, mas se o vizinho olhar sua plantinha pode ligar pros ~cops~ e tá proibido? Vê ques bagunça.)  

 

Como faz, então, depois de anos lutando pela legalização, quando ela acontece mas ~a galera das leis~ tá toda bagunçada? É o quê? Isso mesmo! Se junta com quem sabe e sempre teve lá. Buscar algum tipo de coesão para os próximos passos…Ao menos é o que parece que têm feito os ativistas canadenses. Se garantir por si ou, no mínimo, entender entre si o que é importante e o que deve ser protegido. 

 

 

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