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Outubro Rosa e a Cannabis

22 de nov, 2017, Emily Bandeira e Ana Cavalcanti





O movimento conhecido como Outubro Rosa surgiu na década de 90 com a proposta de estimular o engajamento da população no controle do câncer de mama através do compartilhamento de informações, promovendo a conscientização sobre a doença, e do maior acesso aos serviços de diagnóstico e tratamento, contribuindo para a redução das mortes decorrentes de tal enfermidade.

Nesse contexto, é muito importante como ação preventiva a divulgação e conscientização a respeito dos potenciais dos cannabinóides no tratamento do câncer, sobretudo para tipos de câncer de mama que não respondem a outros tratamentos.

O que a cannabis tem a ver com isso?

Na tentativa de caracterizar o principal composto da cannabis, o THC, o professor israelense Rafael Mechoulam acabou descobrindo, na década de 80, receptores no corpo humano nos quais tal composto se liga. Essa descoberta levantou hipóteses sobre a produção do próprio corpo de compostos similares, que também se ligariam a esses receptores. Essa hipótese foi confirmada e hoje já conhecemos pelo menos duas substâncias endógenas (produzidas pelo próprio corpo) que se ligam aos receptores canabinóides. Tais receptores (espalhados por todo o corpo), os endocanabinoides e as enzimas que os degradam compõem o Sistema Endocanabinóide, que regula diferentes funções biológicas, como apetite, comportamento motor, reprodução, sono , dentre muitas outras.Os fitocanabinoides, que são compostos encontrados na cannabis sativa como o THC e o CBD , atuam nesse sistema, contribuindo também para a regulação dessas funções.

Há um grupo internacional de pesquisadores em diferentes Universidades e Institutos que se dedica à pesquisa de como o funcionamento desse sistema resulta em diferentes respostas anti-tumorais. Para compreender melhor os mecanismos de ação envolvidos nas atividades anticancerígenas, sugerimos a leitura dos artigos (1) e (2).

1. Efeito anti-proliferativo

A administração de canabinóides inibe o crescimento tumoral, ou seja, interfere na taxa de multiplicação das células com defeito genético.

2. Efeito anti-migratório

Os canabinóides podem inibir a migração das células cancerígenas e evitar que elas se espalhem para outras partes do corpo. Destacam-se o CBDA e o CBD, que possui a capacidade de "desligar" a informação genética que comanda a metástase em certos tipos de câncer de mama.

3. Efeito anti-angiogênico

A angiogênese é a formação de vasos sanguíneos a partir de outros já existentes. Esse fenômeno é relevante nesse contexto, pois possibilita o crescimento do tumor, uma vez que o alimenta. Assim, ao impedir a criação de novos vasos sanguíneos, os cannabinoides atuam de forma a impedir a angiogênese e o crescimento tumoral.

4. Efeito pró-apoptose

A apoptose é um mecanismo de defesa do corpo para que uma célula com defeitos genéticos possa se suicidar e evitar sua multiplicação, evitando também riscos para o organismo. Esse processo, considerado uma forma limpa de

morte celular, pode ser induzido pela administração de canabinóides e ocorre de forma seletiva, ou seja, ocorre apenas nas células cancerígenas. Assim, os canabinóides estimulam o suicídio de células tumorais.

Vale recordar que existem diferentes tipos de câncer com suas especificidades e, por isso, é preciso buscar orientações adequadas quanto à proporção de canabinoides a ser ingerida para o tratamento. Além disso, é importante frisar que as atuais evidências científicas não permitem afirmar que a cannabis cura o câncer em humanos. Entretanto, demonstram seu potencial terapêutico no tratamento dessa doença. Além disso, seu uso possui outros benefícios como a baixa toxicidade. O tratamento possui menos efeitos colaterais e atua apenas nas células cancerígenas. O tratamento convencional pode ser realizado em associação com os canabinoides.

Vamos aproveitar esse mês de conscientização e compartilhar também os potenciais da cannabis em relação ao câncer de mama!



Publicado em : https://www.argt.com.br/single-post/2017/10/23/OUTUBRO-ROSA-E-CANNABIS?fb_comment_id=1494148700673197_1496055873815813

Referências

  1. Caffarel, M. M., Andradas, C., Pérez-Gómez, E., Guzmán, M., & Sánchez, C. (2012). Cannabinoids: a new hope for breast cancer therapy?. Cancer treatment reviews, 38(7), 911-918.

  2. Shrivastava, A., Kuzontkoski, P. M., Groopman, J. E., & Prasad, A. (2011). Cannabidiol induces programmed cell death in breast cancer cells by coordinating the cross-talk between apoptosis and autophagy. Molecular cancer therapeutics, 10(7), 1161-11

Publicado em : https://www.argt.com.br/single-post/2017/10/23/OUTUBRO-ROSA-E-CANNABIS?fb_comment_id=1494148700673197_1496055873815813

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